Pneumotórax

Pneumotórax

Globalização e o processo industrial acarretaram, para a sociedade hodierna, a denotação da vanguarda futurista. Tecnologia, rapidez e conflitos regem a epiderme da humanidade; emprego e relações interpessoais não fogem à regra. Com isso, profissões como a do médico estagnaram no grau humano, ampliando na corrente sanguínea apenas a valorização – orgulhosos de sermos, como propõe Drummond, meros artigos industriais. Para que tal realidade se molde, é necessária a participação de profissionais da saúde com humanização no ensino.

Uma vez que tais cargos são os que mais carecem de empatia, um bom profissional pode, além de curar a doença de maneira específica, auxiliar o paciente como ser humano – sem olhá-lo de maneira exclusivamente patológica. Com pessoas curadas, a sociedade se torna resiliente, visto que, de acordo com Aristóteles, um indivíduo doente rege a metástase da nação. Ao promover uma realidade benévola em vez da reificação, o mundo se solidifica.

Entretanto, há entraves que permeiam a idealização: lugares com poucas estruturas e com maior caráter subdesenvolvido podem ficar à margem. A exemplo de Cuba, a excelente qualidade do ensino não carece de tecnologias. Um execelente corpo docente e uma biblioteca atualizada suprem o conteúdo necessário, enquanto a civiliação da mente vem do convívio: para profissionais da saúde, é fundamental o ensino com os próprios pacientes, aprendendo a respeitá-los e, sobretudo, vê-los como semelhantes.

Destarte, ao estarem aptos a lidar com enfermidades e emoções  típicas do homem, podem auxiliar na mudança do mundo. Tal quebra da aceleração, da qual estamos fadados a padecer, edifica de maneira equilibrada a vida, mudando o eixo do cataclismo que prepondera. Contrariando Pneumotórax de Manoel Bandeira, tais agentes podem muito além de somente dançar um tango argentino. Podem saber lidar com a singularidade do estresse populacional e instalerem o que falta na contemporaneidade: a humanização.

 

 

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